Pause dans la douleur

" Gente assim Deus é quem faz e o diabo é quem tempera ."

terça-feira, 12 de abril de 2011

Desta vez, foi a chuva.
Paulo Gondim
18.01.2002

Enfim, a chuva chegou
Muitos sonhos renovou
Fez a vida renascer
A vida quase esquecida
Dessa gente desvalida
Que nunca deixa o sertão
Mesmo sabendo da luta
Da vil e cruel labuta
Por um pedaço de pão

E o sol se esquivou
E dessa vez não queimou
O meu sofrido torrão
E água muita correu
A tudo depressa encheu
O sertão virou um mar !
Todo orgulhoso, sorriu
Assim como nunca viu
Tanta vida festejar

Mas a sorte aqui não muda
É cruel, feia e desnuda
É pura desolação
E no sertão é assim
Sem chuva, a seca ruim
Assola bichos e sonhos
Desalojando essa gente
Num castigar iminente
Em desalentos medonhos

E desta vez foi a chuva
Como a praga da saúva
Que tudo come sem dó
Tirou o sol do caminho
Acabou tudo igualzinho
Como o sol da outra vez
Levou tudo pela frente
Na estrondosa corrente
Destruindo o que se fez

Pois é assim no sertão
Tudo é sim ou tudo é não
Não há jeito nem saída
Quando o sol não lhe castiga
É a chuva por intriga
Que vem tudo devastar
Expulsa o pobre oprimido
De seu lugar tão querido
Para nunca mais voltar

E o sertanejo pergunta
Na dor que ao pranto se junta
Será que a sorte não muda?
Quando o sol lhe queima o rosto
Ou muita chuva é desgosto
Nunca sabe o que é melhor
Como já disse o Poeta
“Seca sem chuva é ruim”
“Mas seca d’água é pior”


segunda-feira, 11 de abril de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011


A Droga
(Guibson Medeiros)


Quando te conheci
Te tratei como rainha
Você era só minha
Eu não queria te dividir
Por tanto tempo vivi
Sem nunca te abandonar
Não via ninguem adiante
Minha mãe tão importante
Não tomaria teu lugar

Pra onde eu ia te levava
O meu desejo era ardente
Não comandava mais a mente
Era você quem me guiava
Meu deu Deus como te amava
A familia deixei pra lá
Você me consumia
Minha única alegria
O meu verdadeiro par

Você era o meu castigo
Me tornei seu prisioneiro
Dependente do teu cheiro
O meu corpo é o teu abrigo
Já não existe aquele amigo
Nem ninguém pra conversar
Por você eu já roubei
E quem sabe matarei
Se pra mim você faltar

Hoje estou enfraquecido
Maltrapilho, abandonado
Colhendo o resultado
De tanto tempo perdido
Fui mais um a ser vencido
Nem um ombro pra chorar
Você continua forte
convidando pra morte
Quem ousa lhe experimentar.